Sobre

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA DO TRABALHO – ABMT é historicamente a Sociedade Médica que pela primeira vez, no Brasil, teve como objetivo incentivar o estudo e a pratica da Medicina do Trabalho, em defesa da saúde das pessoas que trabalham. Foi fundada na cidade do Rio de Janeiro, capital da República, no antigo Distrito Federal, no dia 14 de dezembro de 1944. Ela é, portanto, a mais antiga associação médica, que orientou e dirigiu o seu interesse para o estudo, a pesquisa e a difusão da Medicina do Trabalho no Brasil.

Nesse dia, compareceram ao auditório do Ministério do Trabalho, Indústria e Comercio cerca de 34 médicos e engenheiros, para formulação do Estatuto e eleição da Diretoria.

Essa sessão foi presidida pelo Dr. Décio Parreiras, médico sanitarista, que foi seu idealizador e um grande entusiasta pela pratica da Medicina do Trabalho.

Acompanhavam-no na mesa que coordenou os trabalhos: os Drs. Milton Fernandes Pereira, Hugo Alquéres.e os Inspetores Médicos do Trabalho Drs. Zey Bueno e Pitomba Cavalcante, recentemente nomeados pelo Presidente da República.

O objetivo primordial da fundação da ABMT era difundir, entre os profissionais interessados, conhecimentos sobre requisitos de saúde para o exercício do trabalho, conhecer e diagnosticar as doenças que acometiam os trabalhadores e esclarecer a influência das condições ambientais sobre a execução do trabalho.

A ABMT é uma entidade sem fins lucrativos, que sempre manteve um forte espírito de vanguarda e de luta em prol de melhores condições de vida e de trabalho para todos os brasileiros.

Como entidade de caráter científico tem, de maneira marcante, contribuído para que os problemas de saúde/doença dos trabalhadores sejam considerados como assuntos importantes, éticos e de muito respeito, e que principalmente, sejam pesquisados e solucionados; procurando nesse sentido e sempre que possível, manter-se eqüidistante dos posicionamentos político e ideológico radical. Seu interesse primordial está voltado para tornar a Medicina do Trabalho valorizada e integrada no contexto dos interesses coletivos.

Como decorrência de sua posição técnico-centífica e postura ética, foi declarada como Instituição de Utilidade Pública pelo Decreto 40.162, do Governo Federal, em 16 de outubro de 1956 e pela Lei Municipal 892 de 12 de setembro de 1958 do Governo da Cidade do Rio de Janeiro.

Suas pesquisas e estudos se caracterizam por uma permanente busca de racionalidade científica, dentro de um processo crítico contínuo que permite acompanhar as permanentes mudanças técnicas e científicas que ocorrem no campo especializado da Medicina do Trabalho.

Durante o correr de sua existência a ABMT acolheu em suas iniciativas, cursos e conferências, personalidades da mais elevada respeitabilidade em Medicina do Trabalho e outras matérias conexas. Entre eles cabe citar: João de Barros Barreto, Benjamim Alves Ribeiro, Décio Parreiras, René Fabre, André Aubedrane, Mário Arthou, Pedro Regi, Ismael Ubandt, Jorge Bandeira de Melo, Camile Simonin, J.J Bloomfield, André Gross, André Hanaut, Ana Batcher, George Taylor, Prof. Manoel Ferreira, A. Peñalver, Manoel Joaquim Junqueira, e tantos outros que hoje já pertencem à história da Medicina do Trabalho no Brasil, que já conta com um grande acervo de acontecimentos dignos, e que merecem muito reconhecimento.

Em 19 de junho de 1945, estruturada pela ABMT e levada por Décio Parreiras à consideração do Ministro do Trabalho, é aprovada a portaria que criou as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA) nas empresas com mais de 100 (cem) empregados. Somente essa iniciativa já justifica a grande utilidade da existência da ABMT.

São vários os congressos e simpósios promovidos pela ABMT, pois ela sempre esteve na vanguarda dessas iniciativas, além da publicação de manuais técnicos e do seu jornal “Nota Especial”.

A ABMT, num ininterrupto e intenso esforço, desde sua fundação, tenta suplantar as deficiências de formação especializada do médico do trabalho, tomando iniciativas para dar aos mesmos o necessário embasamento científico, por meio do desenvolvimento de uma programação de educação continuada, que esperamos seja cada vez mais efetiva com o estabelecimento deste site. Para que isso se torne uma realidade é necessário que os médicos do trabalho assumam o compromisso pessoal de compartilhar dessa responsabilidade, cooperando e participando de modo objetivo nessa iniciativa para que ela não perca sua atualidade e efetividade. Somente o esforço conjugado de todos pode levar ao sucesso e a vencer as barreiras que estão sempre acontecendo à boa pratica da Medicina do Trabalho.

Essa é uma pequena mostra do papel da ABMT, que sempre soube, no passado e no presente, através do entusiasmo de seus associados e do altruísmo de suas Diretorias realizar um trabalho profícuo, útil e objetivo sem necessidade de promover o culto de qualquer um de seus membros ou de outras personalidades.

Contamos com vocês para que esse site seja um bom auxiliar em seu trabalho e na continuação da sua permanente capacitação profissional.

DIRETRIZ DA ABMT

A orientação, introduzida pelo governo, através da palavra dos Ministros que tem ingerência nos programas que dizem respeito às questões do trabalho, dá ênfase às medidas destinadas a melhorar o padrão de saúde do trabalhador brasileiro.

Parte substancial dessa tarefa fica sob a responsabilidade empresarial.

Isso não é de hoje e já vinha, há algum tempo, se caracterizando por uma série de orientações incentivadas em vários níveis da administração pública, nas entidades patronais e no setor sindical, com o objetivo de se criar às condições necessárias ao funcionamento de mecanismos operativos, na área de proteção da saúde no trabalho, que se esperava viessem a repercutir, favoravelmente, no quadro institucional das empresas e em resultados positivos, nos setores que compõem os diversos níveis da escala que compõe o arcabouço da saúde dos brasileiros.

Por outro lado, o desenvolvimento de medidas que visam melhorar a saúde dos trabalhadores, não seria unicamente um requisito para se chegar a esse objetivo, mas também um importante fator que teria uma marcada influência sobre o crescimento econômico e a produtividade nas empresas e no país.

Entretanto, para que haja uma união de vontades e de iniciativas para concretizar as diretrizes necessárias para levar avante as questões de saúde relacionadas ao trabalho, é importante que se estabeleça e seja internalizada, por toda a estrutura que compõe a comunidade de trabalho, uma base conceitual, que sirva de fundamento, de explicação e de conscientização, perante os diversos parceiros sociais diretamente vinculados a essa questão (governo, empresários, trabalhadores, profissionais especializados e demais técnicos), visando uma fundamentação de onde possa emanar o estabelecimento das decorrentes políticas e objetivos, na área da saúde do trabalhador. Essa conceituação deve servir, também, de suporte para um planejamento integrado, coerente, flexível e consistente que envolva as empresas em todos os níveis, para uma estratégia que leve a um sistema de gestão incluindo as formulações técnicas necessárias à implementação das ações sustentáveis que resultem em um sistema, por meio do qual se promova, a manutenção da saúde das pessoas em seu trabalho.

A realidade dos riscos inerentes ao trabalho, que se evidenciam de uma maneira cada vez mais insidiosa, face às novas condições de trabalho e aos novos processos empregados, torna imperiosa e cada vez mais evidente a necessidade do desencadeamento de ações preventivas criativas e com novas características, calcadas na competência e na experiência de profissionais especializados, para que se desfaça a cadeia epidemiológica que os mantêm.

Desse modo, há que se realizar um real esforço, para melhorar as condições de saúde das pessoas em seu trabalho e aprimorar as condições de salubridade ambiental, as medidas para prevenir acidentes, a avaliação da aptidão para o exercício da ocupação, a adequação da alimentação para o trabalho, enfim uma orientação para desenvolver um novo estilo de vida face ao trabalho. Tudo isso concorrendo para elevar o padrão de vida de quem trabalha, através do incentivo, cada vez maior, no compartilhamento das responsabilidades pelos parceiros que integram o mundo do trabalho.

Tal orientação levará a um conjunto de diretrizes e ações destinadas a racionalizar positivamente as iniciativas tanto de gestão administrativa como as de aplicação das técnicas especializadas no campo da medicina do trabalho e na maximização dos recursos disponíveis, que são finitos.

O que se torna necessário é conjugar o esforço de todos, para que esse direito indisponível – a saúde – seja alcançado pelo que ela vale, individual e coletivamente para valorização do homem, e não apenas como um pré-requisito para o exercício do trabalho ou como instrumento de auferir somente vantagens pecuniárias. Somente um elo dessa natureza pode dar a força, o equilíbrio, e as bases adequadas para se desenvolver uma cultura propulsora desse objetivo que seja aceita e ratificada pelas empresas e pelos trabalhadores.O desenvolvimento do conhecimento sobre segurança/saúde/doença no trabalho é uma parte essencial de uma cultura social e humanística mais ampla, capaz de reduzir o crescente custo tanto dos serviços de assistência médica como a proteção e recuperação do meio ambiente, com o aumento concomitante da produtividade geral.

Tal diretriz levará a um amplo espectro de medidas que se efetiva na orientação contida nas diretrizes de uma política, cujo objetivo primordial é a promoção no mais alto nível, possível e desejável, da manutenção da saúde de todos os trabalhadores no exercício de suas ocupações.

Desse modo, para atualizar as atividades de medicina do trabalho dentro de uma postura inovadora, há que se estabelecer um conjunto de iniciativas, critérios e normas, tecnicamente fundamentadas e formuladas, politicamente aceitáveis, economicamente viáveis e administrativamente ágeis e flexíveis, capazes de reduzir o elevado custo dos acidentes, lesões, doenças decorrentes do trabalho, em vitimas humanas e em perdas econômicas e materiais.

A formulação de diretrizes e orientações para gestão das atividades médicas nas empresas consubstancia a necessidade de conceituar e de organizar, de modo adequado, a qualidade das ações na prática da Medicina do Trabalho, em benefício da saúde coletiva e individual. Isso precisa ser feita de maneira clara e simplificada, mas também, de modo que permita seguir, objetivamente, as permanentes mudanças que se operam neste campo, através da pesquisa médico-científica, do estabelecimento de macrocenário da medicina e mais especificamente do segmento que diz respeito ao trabalhador e suas disposições legais.

Atividades e programas, considerados atualmente apropriados, sofrerão, no correr do tempo, profundas revisões. Daí a maneira como essas diretrizes são apresentadas, capazes de sofrer adaptações em seu conteúdo em função das orientações e conceitos ditados no futuro, de modo a garantir, que as suas ações operacionais sejam o resultado da racionalização das práticas adotadas em permanente inovação, mas que reflitam e também contribuam para os princípios ditados pela ONU/OMS/OIT para o desenvolvimento sustentado.

Os problemas de saúde/doença no trabalho, devido aos fatores que os influenciam, seja dentro das empresas ou fora delas, estão atualmente, no Brasil, num estado de permanente mudança.

a – Novas condições ambientais de trabalho e na execução de processos industriais;
b -Mão de obra mais esclarecida nas questões de saúde, porém, apreensiva sobre os riscos ligados ao exercício do seu trabalho;
c – Inúmeras normas e exigências legais gerando conflitos;
d- Rápida expansão das negociações trabalhistas de consenso entre empregadores e empregados, nem sempre encontrando o apoio de recursos comunitários para seu atendimento;
e – Novos modelos de contrato de trabalho, criando novas modalidades diferenciadas das relações de trabalho;
f- Sociedade estressada pela velocidade das mudanças, exigindo esforço redobrado para acompanhar a rapidez das decisões;
g- Empresas infelizes – o ambiente de insegurança e a incerteza econômica induzem à competição predatória e à cultura egocêntrica;
h- Robotização social – a máquina condicionando o comportamento humano;
i- Desemprego e o ganho obsessivo como meta sacrifica valores humanos e gera conflitos violentos.
j – Os problemas gerados pela globalização econômica;
k- A velocidade dos meios de comunicação.

Os programas médicos devem, portanto, ir ao encontro das situações que surgem continuamente devido a:

Apesar dessa situação, todos os esforços devem ser mobilizados para ir ao encontro do nosso objetivo primordial – melhorar as condições de execução e de satisfação no trabalho e fora dele por parte dos trabalhadores.

Uma das maneiras de fazê-lo é inovar e consolidar, técnica e economicamente, os critérios e as diretrizes existentes, de maneira que toda a equipe de saúde possa compreender seus deveres em promover e manter as condições de higidez das pessoas, em seu trabalho, garantindo-se assim, a tranquilidade e o padrão de saúde coletiva, desejada por todos.

Convêm frisar, quando se cogita de manter a saúde das pessoas numa comunidade de trabalho, que isso só de torna exequível através de um trabalho conjugado e abrangente, envolvendo todos os componentes do grupo, em todos os níveis. A responsabilidade é dos empresários como é dos trabalhadores.

É um dever geral, pois todos irão dela participar e usufruir seus benefícios

Essa é a compreensão, rica de consequências, que deve advir da conceituação geral que ora se enuncia para motivação de todos, como base axiomática de todo um conjunto de elementos relacionados entre si, na busca da saúde como uma finalidade iminente de todos os participantes do sistema produtivo nacional.

“PROTEGER A SAÚDE E PROPICIAR SEGURANÇA AOS TRABALHADORES, ATRAVÉS DA REDUÇÃO, NEUTRALIZAÇÃO OU DO CONTROLE DOS RISCOS INERENTES AO TRABALHO, É UMA CONDIÇÃO FUNDAMENTAL PARA A QUALIDADE DO TRABALHO, A PRESERVAÇÃO DA VIDA DOS TRABALHADORES E ESSENCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO E CONTINUADO DA NAÇÃO”.

Essa fundamentação se caracteriza por sua flexibilidade e fácil compreensão, como não pode deixar de ser em um corpo de ideias que se preocupa, essencialmente, com o homem.



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